A lua envergonhou-se
com o nosso despudor,
avermelhou-se
diante do nosso amor...
depois sorriu e partiu
para amar sobranceira,
para ensinar ao sol
o que aprendera...
Todo dia eu queria
Um dengo
Um chamego
Muito sossego
Hoje eu queria
Alguém que me fizesse
Um chazinho
Com carinho
Uma canjinha
Gostosinha
A gripe me pegou
Na cama me jogou
Pulei pra fora
Não fico lá
Vou embora
Quero ir
Pra rua
Quero ver
O sol
Quero ter
A lua
Hoje é cheia
Dar pra você
Travesseiro redondo
Macio
O frio
AA
Tchimmm
Tchimmm
Não dá mais
Fim.
plenamente só,
quase pó,
tu e teu corpo
frio,
vazio.
Tenho-te a alma
na palma
da minha mão
fechada
encolhida
trancada,
para por,
dispor,
como quiser.
Tenho-te a alma,
roubei,
não devolverei,
não pequei,
é minha,
são minhas
as almas
dos que amo.
Nas senzalas,
mulheres dançam
felizes
com a libertação...
nas salas,
mulheres cantam
tristes
sem animação...
Ainda há escravas
sem alegria,
nas "salas senzalas",
de suas casas,
sem alforria...
ainda há "senhores"
de chicote na mão,
proibindo a liberdade,
cultuando a escravidão...
-->Harpas... violinos...
acordes delicados...
uma linda canção...
Anjos divinos,
sintonizados
na nossa emoção,
entoando hinos
de paz e louvor,
encantados
com nosso amor...