Que diferença pode fazer ser domingo ou não ser? Setembro chegou! Todo dia, todo mês deveria ser de alegria... Nunca dividi um domingo contigo, o destino não quis... Setembro... ah, um reencontro entre risos, lembranças, carinhos, emoções... ah, setembro... de frio, chuva... e calor... setembro da primavera, das flores... dos botões... dos olhos castanhos, teus, meus, dos desejos contidos... ah, meu amor...
Vai dormir?!
Sonha comigo!
Mas sonha bonito!
Sonha gostoso!
E quando acordar,
me dá um presente:
acorda contente,
com muita saudade,
com muita vontade...
de mim!
Eu estou aqui
todinha
pra você!
Esse cinza,
essa falta de cor,
meu amor,
esse nublado
em nossos dias
sem alegrias,
por vezes passa,
sabemos,
e vivemos...
mas volta
ao nosso peito,
não tem jeito
essa amargura,
insatisfação,
inquietação,
e sob sorrisos
escondemos,
e vivemos...
Surges, e o corpo se me arrepia, leve tremor, paixão, teu beijo quente me tira o chão, em meu seio sinto o calor da tua mão, teu corpo estremece, tesão, minha fragilidade carente, tua virilidade ardente, explosão!
Com amor, até o meu fim tu terás versos meus, de amor... E somarás amor, sonho e saudade, e lembrarás, com risos e lágrimas, da vida que não pudemos ter e sonhamos...
Sem argumentos,
a razão arrisca,
segue o coração,
enfrenta o perigo.
A consciência
ordena viver,
o pensamento
não quer
aceitar fraquezas,
covardia.
Não dá para fugir,
nem lutar contra.
A vida está ali,
ao alcance.
Por que deixar-se
morrer?
O inverno
se aproxima. Mas, ainda é outono, minha estação preferida. (Nasci no
outono, será por isso?)
Observo, da janela, o tempo, o céu, o que meus olhos alcançam... e nesse
observar, a memória traz outros outonos, outros dias...
Quantas lembranças!... e entre todas, sem dúvida, a mais bonita: o teu
nascimento, meu filho!
Naquele momento eu senti que nunca mais estaria sozinha. A cada vez que você
olhava pra mim, eu ia entendendo mais e mais o que era o amor, o amor
verdadeiro.
O tempo foi passando... várias fases... a criança, o adolescente, o adulto... o
estudo, a música, o trabalho, mais estudo, mais trabalho e a música sempre
presente...
É junho, outra vez... está chegando o dia do teu aniversário...
Somos outonais.
Somos únicos, cada qual no seu jeito de ser.
Somos dois, música e poesia,
e somos um, um pelo outro, sempre.
Envelhecemos,
e ainda consigo te olhar
com os olhos da primeira vez,
ainda sorrio, suspiro
e me emociono...
Formigam-me as mãos,
na impossibilidade de um toque,
um carinho, uma carícia...
Dói o coração,
espontâneas lágrimas
que eu mesma enxugo
turvam minha visão...
Sonho sonhos
confusos, abstratos,
delírios,
demência própria da idade
que avança,
paixão de um coração
que não envelheceu
porque sempre te amou,
nunca te esqueceu...
O tempo,
sem nos dar tempo
para se fazer
o que a gente quer...
A gente,
indo adiante,
do jeito que a vida quer...
A vida
ignorando
o direito que a gente tem...
O Direito,
sem direito,
nos tirando
o tempo,
e a vida...
Acomodo-me em teus braços,
dou-te o que posso e não posso,
o que devo e não devo,
o que sei e não sei...
Permito-te o que queres,
conheço tuas faces,
faço minha a tua lei...
Amamos sem pressa, sem calma,
num tempo só nosso,
desfrutamos da posse,
entregamo-nos ao abandono,
somos tudo e nada.
Meio assim,
meio assado,
meio certo,
meio errado,
meio reto,
meio torto,
meio vivo,
meio morto,
meio raso,
meio fundo,
meio nada,
meio mundo
tá no meio
do recreio
deste verso
meio a meio...
Eu, toda, te gosto...
Chegas, e os olhos
se iluminam,
o sorriso aflora,
o corpo renasce,
como se fora uma planta
que águas,
os sentidos despertam...
Chegas, e contigo
vem uma alegria imensa,
uma vontade maior de viver...